Cirurgia da obesidade: quando o que se perde vai além do peso
Anna Claudia Queiroz
A obesidade é considerada hoje um importante problema de saúde pública. A dificuldade de emagrecer se deve ao fato de a doença ou transtorno alimentar ser multifatorial, sendo vários aspectos responsáveis: genético, neurológico, endocrinológico, medicamentoso, dieta alimentar inadequada, inatividade física e fatores psiquiátricos e psicológicos.
Depois de utilizar vários recursos não cirúrgicos visando o emagrecer, e não obter o resultado esperado, a alternativa é a cirurgia bariátrica. Após a cirurgia ocorre o sucesso na redução do peso e uma melhora do comportamento alimentar e na qualidade de vida dos pacientes. Porém, o emagrecer traz ao paciente a perda de suas referências e exige uma nova vivência.
A perda de peso e as mudanças decorrentes da cirurgia bariátrica, tanto podem fazer com que sintomas psíquicos fiquem ainda mais evidentes, como também podem impulsioná-los a buscar novas estratégias de enfrentamento de situações antes paralisadoras.
Ao solicitar a intervenção cirúrgica, há um desejo do indivíduo de realizar mudanças no corpo e na própria vida. Porém, o impacto causado na subjetividade do sujeito ao realizar a cirurgia bariátrica é significativo, iniciando com a mudança do aparelho digestivo (gastroplastia), e posteriormente, com vivências inerentes ao processo de emagrecimento (mudança na imagem corporal; excesso de pele; cicatriz das cirurgias).
É o momento de construir novas referências, encontrar uma nova identidade, não mais a do “gordo”. Muitos não elaboram tantas transformações, justificando o reganho de peso ou a substituição do sintoma por outro transtorno alimentar ou compulsão.
Outros conseguem realizar as mudanças necessárias, melhorando o seu estado emocional, diminuindo o nível de ansiedade e de depressão.
Fica evidente a importância do acompanhamento psicológico e psiquiátrico para estes pacientes, contribuindo com a melhora da qualidade de vida e das relações interpessoais.
Anna Claudia Queiroz é professora do curso Transtornos Alimentares ministrado no Pieron. Este artigo é um pequeno resumo do estudo “A Importância do Tratamento Psicológico Após a Realização da Cirurgia Bariátrica em Pacientes Obesos Mórbidos: Quando o que se Perde Vai Além do Peso”, publicado nos Anais do III Congresso Interamericano de Psicologia da Saúde: Territórios do Psicólogo Hospitalar “O mapa não é território”, 2005. Prêmio menção honrosa do Instituto de Psicologia do Hospital das Clínicas HC-FMUSP
quarta-feira, 6 de julho de 2011
domingo, 12 de setembro de 2010
RESULTADOS DE UM ANO PÓS GESTO-AUTORA :ANNA CLAUDIA QUEIROZ
GESTO-GRUPO ESPECIALIZADO NO TRATAMENTO DA OBESIDADE
RESULTADOS DE UM ANO PÓS-GESTO
Introdução: A obesidade é uma doença crônica e se caracteriza por aspectos multifatorias, dentre estes problemas psiquiátricos e psicológicos podem estar presentes no sintoma obesidade (Loli, 2000). Sendo assim, no tratamento da obesidade, tanto clínico como cirúrgico, é relevante o atendimento com uma equipe multiprofissional, podendo ser individual e ou em grupo. Segundo Franques (2002), se os problemas psíquicos não forem tratados adequadamente no pré-operatório da cirurgia bariátrica, torna-se maior a probabilidade de emergir quadros psiquiátricos graves após a intervenção cirúrgica.
Objetivo: Estabelecer o perfil dos pacientes atendidos no programa GESTO por uma equipe multiprofissional, e constatar os resultados obtidos após um ano de tratamento, nos grupos de atendimento clinico e no pré-operatório da cirurgia bariátrica.
Métodos: Análise quantitativa e qualitativa dos atendimentos realizados no período de Abril/08 a Dezembro de 2009 na Unimed de São José dos Campos/ SP. O total de pacientes atendidos foi de 441, com o IMC igual ou maior de 35, encaminhados pelo médicos credenciados na UNIMED/SJC.
Utiliza-se na avaliação inicial do programa, entrevista clínica, Inventário Sobre Peso e Estilo de Vida (WALI) e o PRIME MD (avaliação de distúrbios mentais para atenção primária). Após um ano de tratamento, através de uma entrevista clinica, ocorre uma reavaliação psicológica do paciente, visando comparar o seu estado psíquico basal do inicio do programa até momento da entrevista.
Resultados: Dos 441 pacientes atendidos, 51.47% foram encaminhados para o tratamento clínico da obesidade, 36.73% para o grupo pré-operatório da cirurgia bariátrica e 11.79% para o grupo pós-cirúrgico.
Os transtornos psiquiátricos identificados nos pacientes foram: 72.11% sintomas de depressão; 78.68% transtorno de ansiedade; 50.34% transtorno alimentar (bulimia; Transtorno comer compulsivo; Síndrome do comer noturno, Roedor Perpétuo) e 3.40% apresentavam transtornos psiquiátricos diversos (ataques de pânico; agorofobia; e outros).
Após um ano de tratamento, constatou-se a remissão parcial ou total dos sintomas de depressão, ansiedade e os transtornos alimentares em ambos os grupos. No grupo de tratamento clinico ocorreu aderência significativa às orientações da equipe multiprofissional, inserindo novos hábitos alimentares de forma gradativa.
Conclusão: É relevante salientar que o número de pacientes que procuram o tratamento clinico da obesidade é elevado (51.47%) na Unimed –SJC. Conseqüentemente, a estruturação de um tratamento para obesidade, por uma equipe multiprofissional especializada, a nível ambulatorial, em saúde suplementar, ampliaria as alternativas de tratamento preventivo à Cirurgia bariátrica.
Observou-se um elevado índice de comorbidades psiquiátricas e psicológicas, tanto nos paciente em tratamento clinico, quanto nos pacientes no tratamento pré-operatório. Consequentemente, torna-se necessário tratamento psicológico adequado, com a finalidade de evitar a não aderência do paciente ao tratamento, bem como, às orientações médicas, e no caso de pacientes de cirurgia bariátrica, tratar para minimizar os riscos relacionados ao surgimento de sintomas psiquiátricos graves no pós-operatório.
Após um ano de tratamento no programa GESTO, o número de pacientes que apresentaram sintomas psiquiátricos e psicológicos graves foram reduzidos consideravelmente, promovendo uma melhora no estado clinico geral do paciente.
Conclui-se que o tratamento clínico e cirúrgico da obesidade, ao tratar os aspectos multifatoriais inerentes ao referido sintoma, viabiliza uma mudança com relação a alimentação e aos cuidados corporais, e juntamente com a intervenção na dinâmica psíquica, possibilita uma melhora na qualidade de vida, e uma diminuição na probabilidade de substituição do sintoma obesidade por outros sintomas, ou outras compulsões ou reganho de peso.
• Franques, A.. ------------------------.In:A cirurgia da obesidade.Ferraz, E; Szego,T; Garrido, A; Barroso,F: Markezine,J. (org).Atheneu Editora.São Paulo. ( 2002), 5,25-33.
• Loli, M. Obesidade Como Sintoma. São Paulo: Editor Vetor, 2000.
RESULTADOS DE UM ANO PÓS-GESTO
Introdução: A obesidade é uma doença crônica e se caracteriza por aspectos multifatorias, dentre estes problemas psiquiátricos e psicológicos podem estar presentes no sintoma obesidade (Loli, 2000). Sendo assim, no tratamento da obesidade, tanto clínico como cirúrgico, é relevante o atendimento com uma equipe multiprofissional, podendo ser individual e ou em grupo. Segundo Franques (2002), se os problemas psíquicos não forem tratados adequadamente no pré-operatório da cirurgia bariátrica, torna-se maior a probabilidade de emergir quadros psiquiátricos graves após a intervenção cirúrgica.
Objetivo: Estabelecer o perfil dos pacientes atendidos no programa GESTO por uma equipe multiprofissional, e constatar os resultados obtidos após um ano de tratamento, nos grupos de atendimento clinico e no pré-operatório da cirurgia bariátrica.
Métodos: Análise quantitativa e qualitativa dos atendimentos realizados no período de Abril/08 a Dezembro de 2009 na Unimed de São José dos Campos/ SP. O total de pacientes atendidos foi de 441, com o IMC igual ou maior de 35, encaminhados pelo médicos credenciados na UNIMED/SJC.
Utiliza-se na avaliação inicial do programa, entrevista clínica, Inventário Sobre Peso e Estilo de Vida (WALI) e o PRIME MD (avaliação de distúrbios mentais para atenção primária). Após um ano de tratamento, através de uma entrevista clinica, ocorre uma reavaliação psicológica do paciente, visando comparar o seu estado psíquico basal do inicio do programa até momento da entrevista.
Resultados: Dos 441 pacientes atendidos, 51.47% foram encaminhados para o tratamento clínico da obesidade, 36.73% para o grupo pré-operatório da cirurgia bariátrica e 11.79% para o grupo pós-cirúrgico.
Os transtornos psiquiátricos identificados nos pacientes foram: 72.11% sintomas de depressão; 78.68% transtorno de ansiedade; 50.34% transtorno alimentar (bulimia; Transtorno comer compulsivo; Síndrome do comer noturno, Roedor Perpétuo) e 3.40% apresentavam transtornos psiquiátricos diversos (ataques de pânico; agorofobia; e outros).
Após um ano de tratamento, constatou-se a remissão parcial ou total dos sintomas de depressão, ansiedade e os transtornos alimentares em ambos os grupos. No grupo de tratamento clinico ocorreu aderência significativa às orientações da equipe multiprofissional, inserindo novos hábitos alimentares de forma gradativa.
Conclusão: É relevante salientar que o número de pacientes que procuram o tratamento clinico da obesidade é elevado (51.47%) na Unimed –SJC. Conseqüentemente, a estruturação de um tratamento para obesidade, por uma equipe multiprofissional especializada, a nível ambulatorial, em saúde suplementar, ampliaria as alternativas de tratamento preventivo à Cirurgia bariátrica.
Observou-se um elevado índice de comorbidades psiquiátricas e psicológicas, tanto nos paciente em tratamento clinico, quanto nos pacientes no tratamento pré-operatório. Consequentemente, torna-se necessário tratamento psicológico adequado, com a finalidade de evitar a não aderência do paciente ao tratamento, bem como, às orientações médicas, e no caso de pacientes de cirurgia bariátrica, tratar para minimizar os riscos relacionados ao surgimento de sintomas psiquiátricos graves no pós-operatório.
Após um ano de tratamento no programa GESTO, o número de pacientes que apresentaram sintomas psiquiátricos e psicológicos graves foram reduzidos consideravelmente, promovendo uma melhora no estado clinico geral do paciente.
Conclui-se que o tratamento clínico e cirúrgico da obesidade, ao tratar os aspectos multifatoriais inerentes ao referido sintoma, viabiliza uma mudança com relação a alimentação e aos cuidados corporais, e juntamente com a intervenção na dinâmica psíquica, possibilita uma melhora na qualidade de vida, e uma diminuição na probabilidade de substituição do sintoma obesidade por outros sintomas, ou outras compulsões ou reganho de peso.
• Franques, A.. ------------------------.In:A cirurgia da obesidade.Ferraz, E; Szego,T; Garrido, A; Barroso,F: Markezine,J. (org).Atheneu Editora.São Paulo. ( 2002), 5,25-33.
• Loli, M. Obesidade Como Sintoma. São Paulo: Editor Vetor, 2000.
sexta-feira, 5 de março de 2010
GESTO- GRUPO ESPECIALIZADO NO TRATAMENTO DA OBESIDADE E RESULTADOS
GESTO-GRUPO ESPECIALIZADO NO TRATAMENTO DA OBESIDADE E RESULTADOS ATÉ 2008
ANNA CLAUDIA QUEIROZ
1- INTRODUÇÃO
A resolução normativa da Agência Nacional de Saúde, nº 167 (artigo 8), enfatiza a demanda de atendimento especial para pacientes com obesidade mórbida, sendo necessário o tratamento por uma equipe multiprofissional, em nível ambulatorial. Baseado nessa exigência, a UNIMED/SJC, iniciou o programa GESTO-Grupo Especializado no Tratamento da Obesidade.
A obesidade se caracteriza pelo aspecto multifatorial em seu desencadeamento e na sua manutenção.Portanto, torna-se indispensável o tratamento dessa sintomatologia por uma equipe multiprofissional.
O GESTO é uma equipe multiprofissional composta por médicos, psicólogos, nutricionistas, gastrônomo, educadores físicos, fisioterapeutas, fonodiologo e enfermeiro.
O programa é destinado a pacientes com o IMC maior de 35, candidatos ao tratamento da obesidade, clínico ou cirúrgico, e pacientes submetidos à cirurgia bariátrica
A obesidade, por ser uma sintomatologia vinculada à problemática na relação do sujeito com a corporalidade e a alimentação, e a sua dinâmica psíquica, seu tratamento deve consistir em informações e orientações relacionado às respectivas temáticas, como também propiciar a possibilidade do paciente elaborar suas questões psicológicas .
2-OBJETIVOS
O objetivo da equipe multidisciplinar é auxiliar o paciente a identificar a sua atual postura com relação à comida e ao corpo, e o que propiciou psicologicamente o desencadear e a manutenção da obesidade.
No GESTO o trabalho do nutricionista, gastrônomo, fisioterapeuta e educador físico têm por finalidade informar e orientar aspectos relacionados à alimentação e a corporalidade.
A psicologia tem por objetivo avaliar e intervir na dinâmica psíquica do sujeito e na sua relação com o alimento e o corpo, propiciando uma mudança subjetiva relativa ao sintoma, viabilizando a implicação do paciente com o seu adoecer, possibilitando uma melhor aderência ao tratamento com a equipe multiprofissional.
3-PROGRAMA
Palestra educativa
Temática:
1. A relação do sujeito contemporâneo com a corporalidade e a alimentação, e o desencadear da obesidade.
2. A cirurgia bariátrica.
3. A relação entre o psíquico e o somático: aspectos psicológicos e psiquiátricos da obesidade.
Esquema de atendimento do Programa GESTO
1.Triagem. É realizado pela equipe de enfermagem, e tem por objetivo constatar se o paciente encaminhado pelo médico cooperado tem indicação para o programa.
2.Entrevistas iniciais. A equipe de psicologia, através de duas consultas, realiza o psicodiagnóstico, utilizando-se da entrevista clínica e dos questionários de avaliação. Após a realização da avaliação psicológica, os pacientes são direcionados para os grupos informativos/ terapêuticos.
3.O grupo obesidade clínica tem como objetivo identificar os aspectos psíquicos inerentes ao desencadear do sintoma obesidade e sua manutenção, como também a relação do sujeito com sua alimentação e os cuidados corporais.
O grupo destinado aos pacientes candidatos à cirurgia bariátrica também
propicia a percepção sobre as motivações que o mobilizaram a optar pela
intervenção cirúrgica, além de prepará-lo para o pós-operatório.
O grupo para os pacientes que se submeteram a gastroplastia possibilita
auxiliar as mudanças inerentes à cirurgia, que se inicia com a mudança no
aparelho digestivo e na alimentação, e posteriormente com as mudanças
corporais, decorrentes do processo de emagrecimento (imagem corporal,
excesso de pele).
4.Atendimento psicológico individual, se o paciente apresentar: transtorno depressivo maior, transtorno de ansiedade, transtorno alimentar grave, ou alguma patologia clínica ou psíquica que dificulte o trabalho em grupo As consultas psicológicas individuais ocorrem a cada 15 dias, no total máximo de 12 consultas anuais. As orientações nutricionais individuais são realizadas em 6 consultas.
Cirurgia bariátrica imediata. Quando o paciente apresenta o IMC elevado e
co-morbidades graves. A avaliação psicológica é efetuada no total de 6 entrevistas, e a nutricional em 2 atendimentos.
4-RESULTADOS
Da análise quantitativa e qualitativa dos atendimentos realizados no período de Abril a Dezembro de 2008, na Unimed de São José dos Campos, em 174 pacientes, com o IMC maior que 35, para tratamento clínico e cirúrgico da obesidade, ou que já se submeteram a cirurgia bariátrica, a população atendida, 19% eram do gênero masculino e 81% feminino. e no decorrer dos atendimentos, observou-se que os pacientes do tratamento clínico ocorreu uma média de perda de peso por período (tempo do programa) de 3,62 kg.
A partir da percepção da perda de peso, e no relato dos pacientes nas entrevistas com a equipe multiprofissional, identificou-se que o grupo do tratamento clínico da obesidade aderiu às orientações do programa, mesmo que inserir os novos hábitos tenha sido gradativo.
Outro aspecto identificado relevante de salientar foi um índice elevado das comorbidades psiquiátricas associada ao sintoma obesidade. No relato da história de vida do sujeito, como nos inventários aplicados pela equipe de psicologia (o Inventário Sobre Peso e Estilo de Vida-WALI-e o PRIME MD -avaliação de distúrbios mentais para atenção primária), os transtornos psiquiátricos não foram identificados em 19% dos pacientes, sendo que os demais apresentaram entre um (16%), dois (30%) e até três (35%). das comorbidades psiquiátricas. O transtorno depressivo foi o mais freqüente, atingindo 119 pacientes, seguido do transtorno de ansiedade, com 110 pacientes. O distúrbio de pânico estava presente em 15 pacientes. Os transtornos psiquiátricos referentes à alimentação, tais como compulsão alimentar ou bulimia, foram diagnosticados em 65 sujeitos. Verificou-se uma relação do desencadear das referidas sintomatologias a uma situação de difícil elaboração psíquica.
5-CONCLUSÃO
Um hábito é constituído por premissas e inferências, fundamentando uma crença. As crenças são elementos que norteiam os desejos e a ação do ser humano. Quando há dúvidas relativas às crenças, freqüentemente desencadeia angústia, mobilizando o sujeito a estabelecer uma nova rede de crenças.
A obesidade se caracteriza pelo excesso de gordura corporal, e se desenvolve a partir de hábitos inadequados relativos à alimentação e aos cuidados corporais. Freqüentemente o paciente obeso deseja realizar mudanças de hábitos visando o emagrecimento, porém não apresenta recursos internos para sua realização.
O tratamento no GESTO-Grupo Especializado no Tratamento da Obesidade - visa instaurar dúvidas relativas aos hábitos vigentes do obeso, com relação à comida e ao corpo, responsáveis pelo excesso de peso. Posteriormente se oferece uma nova rede de informações, visando fixar novas crenças. Porém, as informações apresentadas são elaboradas pelo sujeito, respeitando sua singularidade, viabilizando ocorrer uma mudança subjetiva frente ao sintoma obesidade e a resignificar os hábitos relacionados à alimentação e a corporalidade.
Com relação aos transtornos psiquiátricos associados ao sintoma obesidade, concluiu-se ser um recurso psíquico que visa à defesa do sujeito a uma situação traumática. Elaborar os aspectos psíquicos inerentes ao desencadear e a manutenção do excesso de peso possibilita uma menor probabilidade de substituição por outros sintomas, outras compulsões ou reganho de peso.
Conseqüentemente, concluímos que no tratamento visando uma mudança de hábitos alimentares e dos cuidados corporais, juntamente com a intervenção na dinâmica psíquica, tendo como um dos objetivos a perda de peso, é relevante no decorrer dos atendimentos pela equipe multiprofissional, enfatizar a importância das mudanças de hábitos, independente se o tratamento da obesidade for clínico ou cirúrgico, auxiliando o obeso na construção de uma nova rede de crenças relativa a alimentação e aos cuidados corporais, possibilitando uma melhora na qualidade de vida.
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OBS: Até o final de 2009 foram atendidos no GESTO 441 pacientes. Estamos atualmente realizando a análise qualitativa e quantitativa do total de obesos mórbidos submetidos ao programa do GESTO desde o início do programa, até o presente momento.
ANNA CLAUDIA QUEIROZ
1- INTRODUÇÃO
A resolução normativa da Agência Nacional de Saúde, nº 167 (artigo 8), enfatiza a demanda de atendimento especial para pacientes com obesidade mórbida, sendo necessário o tratamento por uma equipe multiprofissional, em nível ambulatorial. Baseado nessa exigência, a UNIMED/SJC, iniciou o programa GESTO-Grupo Especializado no Tratamento da Obesidade.
A obesidade se caracteriza pelo aspecto multifatorial em seu desencadeamento e na sua manutenção.Portanto, torna-se indispensável o tratamento dessa sintomatologia por uma equipe multiprofissional.
O GESTO é uma equipe multiprofissional composta por médicos, psicólogos, nutricionistas, gastrônomo, educadores físicos, fisioterapeutas, fonodiologo e enfermeiro.
O programa é destinado a pacientes com o IMC maior de 35, candidatos ao tratamento da obesidade, clínico ou cirúrgico, e pacientes submetidos à cirurgia bariátrica
A obesidade, por ser uma sintomatologia vinculada à problemática na relação do sujeito com a corporalidade e a alimentação, e a sua dinâmica psíquica, seu tratamento deve consistir em informações e orientações relacionado às respectivas temáticas, como também propiciar a possibilidade do paciente elaborar suas questões psicológicas .
2-OBJETIVOS
O objetivo da equipe multidisciplinar é auxiliar o paciente a identificar a sua atual postura com relação à comida e ao corpo, e o que propiciou psicologicamente o desencadear e a manutenção da obesidade.
No GESTO o trabalho do nutricionista, gastrônomo, fisioterapeuta e educador físico têm por finalidade informar e orientar aspectos relacionados à alimentação e a corporalidade.
A psicologia tem por objetivo avaliar e intervir na dinâmica psíquica do sujeito e na sua relação com o alimento e o corpo, propiciando uma mudança subjetiva relativa ao sintoma, viabilizando a implicação do paciente com o seu adoecer, possibilitando uma melhor aderência ao tratamento com a equipe multiprofissional.
3-PROGRAMA
Palestra educativa
Temática:
1. A relação do sujeito contemporâneo com a corporalidade e a alimentação, e o desencadear da obesidade.
2. A cirurgia bariátrica.
3. A relação entre o psíquico e o somático: aspectos psicológicos e psiquiátricos da obesidade.
Esquema de atendimento do Programa GESTO
1.Triagem. É realizado pela equipe de enfermagem, e tem por objetivo constatar se o paciente encaminhado pelo médico cooperado tem indicação para o programa.
2.Entrevistas iniciais. A equipe de psicologia, através de duas consultas, realiza o psicodiagnóstico, utilizando-se da entrevista clínica e dos questionários de avaliação. Após a realização da avaliação psicológica, os pacientes são direcionados para os grupos informativos/ terapêuticos.
3.O grupo obesidade clínica tem como objetivo identificar os aspectos psíquicos inerentes ao desencadear do sintoma obesidade e sua manutenção, como também a relação do sujeito com sua alimentação e os cuidados corporais.
O grupo destinado aos pacientes candidatos à cirurgia bariátrica também
propicia a percepção sobre as motivações que o mobilizaram a optar pela
intervenção cirúrgica, além de prepará-lo para o pós-operatório.
O grupo para os pacientes que se submeteram a gastroplastia possibilita
auxiliar as mudanças inerentes à cirurgia, que se inicia com a mudança no
aparelho digestivo e na alimentação, e posteriormente com as mudanças
corporais, decorrentes do processo de emagrecimento (imagem corporal,
excesso de pele).
4.Atendimento psicológico individual, se o paciente apresentar: transtorno depressivo maior, transtorno de ansiedade, transtorno alimentar grave, ou alguma patologia clínica ou psíquica que dificulte o trabalho em grupo As consultas psicológicas individuais ocorrem a cada 15 dias, no total máximo de 12 consultas anuais. As orientações nutricionais individuais são realizadas em 6 consultas.
Cirurgia bariátrica imediata. Quando o paciente apresenta o IMC elevado e
co-morbidades graves. A avaliação psicológica é efetuada no total de 6 entrevistas, e a nutricional em 2 atendimentos.
4-RESULTADOS
Da análise quantitativa e qualitativa dos atendimentos realizados no período de Abril a Dezembro de 2008, na Unimed de São José dos Campos, em 174 pacientes, com o IMC maior que 35, para tratamento clínico e cirúrgico da obesidade, ou que já se submeteram a cirurgia bariátrica, a população atendida, 19% eram do gênero masculino e 81% feminino. e no decorrer dos atendimentos, observou-se que os pacientes do tratamento clínico ocorreu uma média de perda de peso por período (tempo do programa) de 3,62 kg.
A partir da percepção da perda de peso, e no relato dos pacientes nas entrevistas com a equipe multiprofissional, identificou-se que o grupo do tratamento clínico da obesidade aderiu às orientações do programa, mesmo que inserir os novos hábitos tenha sido gradativo.
Outro aspecto identificado relevante de salientar foi um índice elevado das comorbidades psiquiátricas associada ao sintoma obesidade. No relato da história de vida do sujeito, como nos inventários aplicados pela equipe de psicologia (o Inventário Sobre Peso e Estilo de Vida-WALI-e o PRIME MD -avaliação de distúrbios mentais para atenção primária), os transtornos psiquiátricos não foram identificados em 19% dos pacientes, sendo que os demais apresentaram entre um (16%), dois (30%) e até três (35%). das comorbidades psiquiátricas. O transtorno depressivo foi o mais freqüente, atingindo 119 pacientes, seguido do transtorno de ansiedade, com 110 pacientes. O distúrbio de pânico estava presente em 15 pacientes. Os transtornos psiquiátricos referentes à alimentação, tais como compulsão alimentar ou bulimia, foram diagnosticados em 65 sujeitos. Verificou-se uma relação do desencadear das referidas sintomatologias a uma situação de difícil elaboração psíquica.
5-CONCLUSÃO
Um hábito é constituído por premissas e inferências, fundamentando uma crença. As crenças são elementos que norteiam os desejos e a ação do ser humano. Quando há dúvidas relativas às crenças, freqüentemente desencadeia angústia, mobilizando o sujeito a estabelecer uma nova rede de crenças.
A obesidade se caracteriza pelo excesso de gordura corporal, e se desenvolve a partir de hábitos inadequados relativos à alimentação e aos cuidados corporais. Freqüentemente o paciente obeso deseja realizar mudanças de hábitos visando o emagrecimento, porém não apresenta recursos internos para sua realização.
O tratamento no GESTO-Grupo Especializado no Tratamento da Obesidade - visa instaurar dúvidas relativas aos hábitos vigentes do obeso, com relação à comida e ao corpo, responsáveis pelo excesso de peso. Posteriormente se oferece uma nova rede de informações, visando fixar novas crenças. Porém, as informações apresentadas são elaboradas pelo sujeito, respeitando sua singularidade, viabilizando ocorrer uma mudança subjetiva frente ao sintoma obesidade e a resignificar os hábitos relacionados à alimentação e a corporalidade.
Com relação aos transtornos psiquiátricos associados ao sintoma obesidade, concluiu-se ser um recurso psíquico que visa à defesa do sujeito a uma situação traumática. Elaborar os aspectos psíquicos inerentes ao desencadear e a manutenção do excesso de peso possibilita uma menor probabilidade de substituição por outros sintomas, outras compulsões ou reganho de peso.
Conseqüentemente, concluímos que no tratamento visando uma mudança de hábitos alimentares e dos cuidados corporais, juntamente com a intervenção na dinâmica psíquica, tendo como um dos objetivos a perda de peso, é relevante no decorrer dos atendimentos pela equipe multiprofissional, enfatizar a importância das mudanças de hábitos, independente se o tratamento da obesidade for clínico ou cirúrgico, auxiliando o obeso na construção de uma nova rede de crenças relativa a alimentação e aos cuidados corporais, possibilitando uma melhora na qualidade de vida.
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OBS: Até o final de 2009 foram atendidos no GESTO 441 pacientes. Estamos atualmente realizando a análise qualitativa e quantitativa do total de obesos mórbidos submetidos ao programa do GESTO desde o início do programa, até o presente momento.
CRENÇAS ALIMENTARES EM PACIENTES SUBMETIDOS À CIRURGIA BARIÁTRICA
Resumo do artigo premiado no V Congresso Interamericano de Psicologia da saúde do CEPSIC/HC-FMUSP
Crenças Alimentares em pacientes submetidos à cirurgia Bariátrica
Anna Claudia Queiroz; Niraldo Santos; Marlene Matos Silva;
Cláudia Laham, Artur Garrido Junior; Mara Cristina de Lúcia
Introdução: O número de obesos graves tem aumentado consideravelmente, e uma alternativa para solucionar esta problemática é a cirurgia bariátrica. Sob o aspecto psíquico, as mudanças inerentes ao processo de emagrecer são de extrema complexidade e incluem fatores psicodinâmicos, familiares e culturais, levando à construções subjetivas particulares acerca do auto-cuidado e do tratamento. Nosso estudo teve como objetivo investigar as crenças alimentares em pacientes que se submeteram à gastroplastia e verificar o quanto estas refletem na postura alimentar e no desencadear de transtornos alimentares no pós-operatório.
Métodos: Estudo transversal com a utilização da Escala de Crenças Alimentares (MFH) e questionário desenvolvido pelos pesquisadores contendo 35 itens. Foram incluídos 60 pacientes que haviam se submetido à cirurgia de “Fobi-Capela” há pelo menos 6 meses.
Resultados: Dos pacientes investigados, 85% eram do gênero feminino, 67% possuíam idade entre 18 e 25 anos, 70% casados e 30% referiram ter concluído ensino médio. A média de peso eliminado após a cirurgia foi de 64kg. Quando questionados quais os alimentos considerados mais “difíceis de engolir” e freqüentemente retirados do cardápio, 46% responderam “carne” e 27% “arroz”. Analisando os resultados obtidos com a Escala MFH, constatamos um número significativo de afirmações que apontam para as crenças alimentares relacionadas à saúde quando somadas as respostas com tendência afirmativa: 80% “as plantas mudam a vibração de energia de um organismo de uma maneira benéfica à saúde”, 73% “a falta de equilíbrio na ingestão de alimentos está por trás de muitas doenças”, 68% “se não limparmos nosso corpo de algum jeito as toxinas pouco saudáveis permanecem dentro dele”, 53% “é bom desintoxicar o corpo de vez em quando fazendo jejum”. Porém, apenas 17% apresentam a crença referente a carne, sendo que no pós-operatório o número de pacientes com dificuldade de ingerir este alimento é elevado. Esta contradição sinaliza que o fato de apresentar uma diminuição da ingestão de carne não é conseqüência de ideologias relativas a este gênero alimentício, e sim decorrentes das modificações na estrutura física do paciente após a gastroplastia, como a diminuição do estomago, dificultando a sua assimilação e elaboração psíquica, mobilizando-se medo. Conseqüentemente, uma possível estratégia, visando lidar com o desconhecido, é o surgimento de crenças alimentares. A partir de então, não se come carne, ou muitos relatam mastigar e depois cuspir, desenvolvendo sintomas bulímicos. .
Conclusão: A função das crenças alimentares no pós-operatório da cirurgia bariátrica pode ser justificada a partir de determinados aspectos, tais como: se em um determinado momento da vida o obeso utilizou-se a camada adiposa para ser o recurso de mediação entre o desejo e o mundo, após o emagrecimento, o recurso utilizado é a crença; a presença de um elevado número de crenças no indivíduo que se submete a cirurgia é uma estratégia de se obter o controle sobre o incontrolável, e de manejar os medos frente a uma situação desconhecida; após a intervenção cirúrgica o paciente vivencia uma série de mudanças, sendo necessária sua adaptação, e uma significação da nova vivência, utilizando como estratégia as crenças alimentares.Enfim, concluímos que as mudanças impostas ao paciente depois da gastroplastia favorecem a adesão a um conjunto de crenças, sendo esta uma postura defensiva mediante a tantas transformações vividas.
Crenças Alimentares em pacientes submetidos à cirurgia Bariátrica
Anna Claudia Queiroz; Niraldo Santos; Marlene Matos Silva;
Cláudia Laham, Artur Garrido Junior; Mara Cristina de Lúcia
Introdução: O número de obesos graves tem aumentado consideravelmente, e uma alternativa para solucionar esta problemática é a cirurgia bariátrica. Sob o aspecto psíquico, as mudanças inerentes ao processo de emagrecer são de extrema complexidade e incluem fatores psicodinâmicos, familiares e culturais, levando à construções subjetivas particulares acerca do auto-cuidado e do tratamento. Nosso estudo teve como objetivo investigar as crenças alimentares em pacientes que se submeteram à gastroplastia e verificar o quanto estas refletem na postura alimentar e no desencadear de transtornos alimentares no pós-operatório.
Métodos: Estudo transversal com a utilização da Escala de Crenças Alimentares (MFH) e questionário desenvolvido pelos pesquisadores contendo 35 itens. Foram incluídos 60 pacientes que haviam se submetido à cirurgia de “Fobi-Capela” há pelo menos 6 meses.
Resultados: Dos pacientes investigados, 85% eram do gênero feminino, 67% possuíam idade entre 18 e 25 anos, 70% casados e 30% referiram ter concluído ensino médio. A média de peso eliminado após a cirurgia foi de 64kg. Quando questionados quais os alimentos considerados mais “difíceis de engolir” e freqüentemente retirados do cardápio, 46% responderam “carne” e 27% “arroz”. Analisando os resultados obtidos com a Escala MFH, constatamos um número significativo de afirmações que apontam para as crenças alimentares relacionadas à saúde quando somadas as respostas com tendência afirmativa: 80% “as plantas mudam a vibração de energia de um organismo de uma maneira benéfica à saúde”, 73% “a falta de equilíbrio na ingestão de alimentos está por trás de muitas doenças”, 68% “se não limparmos nosso corpo de algum jeito as toxinas pouco saudáveis permanecem dentro dele”, 53% “é bom desintoxicar o corpo de vez em quando fazendo jejum”. Porém, apenas 17% apresentam a crença referente a carne, sendo que no pós-operatório o número de pacientes com dificuldade de ingerir este alimento é elevado. Esta contradição sinaliza que o fato de apresentar uma diminuição da ingestão de carne não é conseqüência de ideologias relativas a este gênero alimentício, e sim decorrentes das modificações na estrutura física do paciente após a gastroplastia, como a diminuição do estomago, dificultando a sua assimilação e elaboração psíquica, mobilizando-se medo. Conseqüentemente, uma possível estratégia, visando lidar com o desconhecido, é o surgimento de crenças alimentares. A partir de então, não se come carne, ou muitos relatam mastigar e depois cuspir, desenvolvendo sintomas bulímicos. .
Conclusão: A função das crenças alimentares no pós-operatório da cirurgia bariátrica pode ser justificada a partir de determinados aspectos, tais como: se em um determinado momento da vida o obeso utilizou-se a camada adiposa para ser o recurso de mediação entre o desejo e o mundo, após o emagrecimento, o recurso utilizado é a crença; a presença de um elevado número de crenças no indivíduo que se submete a cirurgia é uma estratégia de se obter o controle sobre o incontrolável, e de manejar os medos frente a uma situação desconhecida; após a intervenção cirúrgica o paciente vivencia uma série de mudanças, sendo necessária sua adaptação, e uma significação da nova vivência, utilizando como estratégia as crenças alimentares.Enfim, concluímos que as mudanças impostas ao paciente depois da gastroplastia favorecem a adesão a um conjunto de crenças, sendo esta uma postura defensiva mediante a tantas transformações vividas.
A IMPORTÂNCIA DO TRATAMENTO PSICOLÓGICO APÓS A REALIZAÇÃO DA CIRURGIA BARIÁTRICA: QUANDO O QUE SE PERDE VAI ALÉM DO PESO. MENÇÃO HONROSA
Anna Claudia Queiroz e Niraldo de Oliveira Santos
Menção Honrosa NO III congresso interamericano de psicologia da saúde: territórios do psicólogo Hospitalar “O mapa não é território”, 2005.
Antes da cirurgia, a obesidade justificava uma série de impedimentos na obtenção de sucesso na vida afetiva e profissional. Com o emagrecimento e a perda da base de argumentação que fundamentava as impossibilidades frente à vida e ao mundo, o indivíduo se defronta com vivências psíquicas novas, levando a perdas: de peso; de ganhos secundários; do direito de se acomodar na vida profissional e na vida pessoal.
Há o aumento na exigência para estabelecer novos laços afetivos e na expectativa do campo profissional. Após a cirurgia ocorre a perda do direito de comer em excesso e a perda dos ganhos secundários que se obtinha com a obesidade.
Ao se construir uma série de exigências, que culminam com um alto grau de ansiedade para a efetivação do sucesso, podem-se desencadear crises psicológicas. Frente à impossibilidade de ingerir alimentos como antes, ocorre o investimento excessivo em outras atividades, visando o alívio de tensão ocasionado pela ansiedade, justificando a importância do tratamento psicológico no pós operatório da cirurgia bariátrica,
Menção Honrosa NO III congresso interamericano de psicologia da saúde: territórios do psicólogo Hospitalar “O mapa não é território”, 2005.
Antes da cirurgia, a obesidade justificava uma série de impedimentos na obtenção de sucesso na vida afetiva e profissional. Com o emagrecimento e a perda da base de argumentação que fundamentava as impossibilidades frente à vida e ao mundo, o indivíduo se defronta com vivências psíquicas novas, levando a perdas: de peso; de ganhos secundários; do direito de se acomodar na vida profissional e na vida pessoal.
Há o aumento na exigência para estabelecer novos laços afetivos e na expectativa do campo profissional. Após a cirurgia ocorre a perda do direito de comer em excesso e a perda dos ganhos secundários que se obtinha com a obesidade.
Ao se construir uma série de exigências, que culminam com um alto grau de ansiedade para a efetivação do sucesso, podem-se desencadear crises psicológicas. Frente à impossibilidade de ingerir alimentos como antes, ocorre o investimento excessivo em outras atividades, visando o alívio de tensão ocasionado pela ansiedade, justificando a importância do tratamento psicológico no pós operatório da cirurgia bariátrica,
OBESIDADE: ASPECTOS PSICOLÓGICOS E PSIQUIÁTRICOS
OBESIDADE: ASPECTOS PSIQUIÁTRICOS E PSICOLÓGICOS
ANNA CLAUDIA QUEIROZ
ANA RITA DE AZEVEDO
Todos apresentamos um repertório de emoções (raiva, medo, felicidade, tristeza, etc...), e cada emoção apresenta uma função única.Quando um sentimento é mobilizado, ocorre uma distinta manifestação somática, preparando o corpo para uma reação diferente, dependendo da emoção desencadeada.
Por exemplo, quando ocorre à tristeza, diante de uma perda significativa, fisicamente é comum ocorrer: uma queda de energia e entusiasmo pelas atividades da vida; reduz a velocidade metabólica do corpo, levando a um retraimento introspectivo, visando a elaboração da perda.
As emoções são comuns na vida cotidiana do sujeito, mas se elas passam de um determinado limite, interferindo na rotina diária, e se tornando um transtorno para o indivíduo, podemos considerar a existência um transtorno psiquiátrico.
A tristeza, por exemplo, quando se aprofunda se aproxima da depressão, onde se reduz a velocidade metabólica do corpo.
Conseqüentemente, desencadeia o que denominamos um distúrbio do humor, levando a uma baixa nos níveis dos neurotransmissores.
Os sintomas mais evidentes da depressão são:
- Profunda tristeza
- Perda de prazer para realizar certas atividades que antes tinha prazer
- Sentimento de inutilidade
- Sensação de vazio
- Choro fácil
- Insônia ou hipersonia
- Perda da libido (energia)
- Dificuldade de atenção
- Sentimento de culpa ou inutilidade
- Ideação suicida
- Alteração do apetite, para mais ou para menos
Observe como a depressão afeta o peso do indivíduo, como mencionado no ultimo item. Muitos ficam com sintomas de anorexia, emagrecendo, outros comem compulsivamente, desencadeando a obesidade.
Há níveis diferentes de depressão, uns são mais graves e outros mais leves,podendo ser classificados como: distúrbio depressivo maior; remissão parcial de um distúrbio depressivo maior; distimia; distúrbio depressivo Menor.
O psicólogo,quando necessário, como na avaliação para se submeter a cirurgia bariátrica, precisa se utilizar de inventários, como o PRIME MD, visando estabelecer uma hipótese de diagnostico. Porém, é o psiquiatra que deve confirmar o diagnóstico, e realizar o tratamento medicamentoso, se necessário.
Outro distúrbio psiquiátrico que interfere intimamente no ganho de peso é o transtorno de ansiedade. A ansiedade é comum no mundo moderno, em decorrência do excesso de tarefas que precisam ser executadas na rotina diária,tais como: tarefas domésticas; a maternidade; trabalho; etc...
Porém, quando o nível de ansiedade fica elevado, tornando-se um transtorno na vida do indivíduo, podemos supor que há um distúrbio de ansiedade, que se caracteriza por apresentar alguns desses sintomas:
- Inquietação;
- cansando-se facilmente;
- tensão muscular;
- dificuldades de adormecer ou continuar dormindo;
- de se concentrar nas atividades diárias, como ver uma televisão ou ler um livro;
- estado de irritabilidade constante.
Quando o paciente está ansioso é freqüente desencadear uma compulsão alimentar, contribuindo para o ganho de peso.
Outros transtornos psiquiátricos, que são relevantes de serem diagnosticados e tratados por profissionais adequados, como o médico psiquiatra, são: hipomania; bipolar; distúrbio do pânico; esquizofrenia, etc...
No mundo contemporâneo é comum identificar indivíduos com o nível de estresse elevado, que sob o aspecto médico, pode intervir no desencadear da obesidade, pois há uma relação desta sintomatologia com o sistema neuro-endócrino .“Estados ansiosos ou depressivos provocam uma diminuição do depósito de neurotransmissores cerebrais, principalmente a serotonina e a noradrenalina.” segundo a Dr. Valéria Meira , endocrinologista, contribuindo para o ganho de peso.
A problemática principal é que os aspectos psíquicos e psiquiátricos não estão apenas ligados ao estado biológico, mas na atitude do paciente.
Por exemplo, os pacientes deprimidos apresentam uma atitude de não aderirem às orientações e procedimentos recomendados pelos médicos, dificultando a melhora da doença, como não emagrecendo . Não por não queiram, mas por que suas condições subjetivas não permitem,em função do retraimento introspectivo, o que o leva a uma paralização frente à vida.
Os problemas psicológicos e psiquiátricos interferem no agravamento e na dificuldade da remissão das doenças, sendo, por isso, relevante a realização do seu diagnóstico , e o início de um tratamento adequado, pela equipe multiprofissional.
É IMPORTANTE SALIENTAR QUE O PSÍQUICO REPOUSA SOBRE O ORGÂNICO,
E DEVE-SE CUIDAR TANTO DO CORPO COMO DAS EMOÇÕES.
Bibliografia
Goleman,D. Inteligência emocional.Ed. Objetiva. RJ. 1995.
Marty,P. A psicossomática do Adulto. Ed. Artes Medicas. Porto alegre.1993.
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Násio,J.D. A Dor do amor. Ed.Zahar.Editor.RJ.2007
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Por exemplo, quando ocorre à tristeza, diante de uma perda significativa, fisicamente é comum ocorrer: uma queda de energia e entusiasmo pelas atividades da vida; reduz a velocidade metabólica do corpo, levando a um retraimento introspectivo, visando a elaboração da perda.
As emoções são comuns na vida cotidiana do sujeito, mas se elas passam de um determinado limite, interferindo na rotina diária, e se tornando um transtorno para o indivíduo, podemos considerar a existência um transtorno psiquiátrico.
A tristeza, por exemplo, quando se aprofunda se aproxima da depressão, onde se reduz a velocidade metabólica do corpo.
Conseqüentemente, desencadeia o que denominamos um distúrbio do humor, levando a uma baixa nos níveis dos neurotransmissores.
Os sintomas mais evidentes da depressão são:
- Profunda tristeza
- Perda de prazer para realizar certas atividades que antes tinha prazer
- Sentimento de inutilidade
- Sensação de vazio
- Choro fácil
- Insônia ou hipersonia
- Perda da libido (energia)
- Dificuldade de atenção
- Sentimento de culpa ou inutilidade
- Ideação suicida
- Alteração do apetite, para mais ou para menos
Observe como a depressão afeta o peso do indivíduo, como mencionado no ultimo item. Muitos ficam com sintomas de anorexia, emagrecendo, outros comem compulsivamente, desencadeando a obesidade.
Há níveis diferentes de depressão, uns são mais graves e outros mais leves,podendo ser classificados como: distúrbio depressivo maior; remissão parcial de um distúrbio depressivo maior; distimia; distúrbio depressivo Menor.
O psicólogo,quando necessário, como na avaliação para se submeter a cirurgia bariátrica, precisa se utilizar de inventários, como o PRIME MD, visando estabelecer uma hipótese de diagnostico. Porém, é o psiquiatra que deve confirmar o diagnóstico, e realizar o tratamento medicamentoso, se necessário.
Outro distúrbio psiquiátrico que interfere intimamente no ganho de peso é o transtorno de ansiedade. A ansiedade é comum no mundo moderno, em decorrência do excesso de tarefas que precisam ser executadas na rotina diária,tais como: tarefas domésticas; a maternidade; trabalho; etc...
Porém, quando o nível de ansiedade fica elevado, tornando-se um transtorno na vida do indivíduo, podemos supor que há um distúrbio de ansiedade, que se caracteriza por apresentar alguns desses sintomas:
- Inquietação;
- cansando-se facilmente;
- tensão muscular;
- dificuldades de adormecer ou continuar dormindo;
- de se concentrar nas atividades diárias, como ver uma televisão ou ler um livro;
- estado de irritabilidade constante.
Quando o paciente está ansioso é freqüente desencadear uma compulsão alimentar, contribuindo para o ganho de peso.
Outros transtornos psiquiátricos, que são relevantes de serem diagnosticados e tratados por profissionais adequados, como o médico psiquiatra, são: hipomania; bipolar; distúrbio do pânico; esquizofrenia, etc...
No mundo contemporâneo é comum identificar indivíduos com o nível de estresse elevado, que sob o aspecto médico, pode intervir no desencadear da obesidade, pois há uma relação desta sintomatologia com o sistema neuro-endócrino .“Estados ansiosos ou depressivos provocam uma diminuição do depósito de neurotransmissores cerebrais, principalmente a serotonina e a noradrenalina.” segundo a Dr. Valéria Meira , endocrinologista, contribuindo para o ganho de peso.
A problemática principal é que os aspectos psíquicos e psiquiátricos não estão apenas ligados ao estado biológico, mas na atitude do paciente.
Por exemplo, os pacientes deprimidos apresentam uma atitude de não aderirem às orientações e procedimentos recomendados pelos médicos, dificultando a melhora da doença, como não emagrecendo . Não por não queiram, mas por que suas condições subjetivas não permitem,em função do retraimento introspectivo, o que o leva a uma paralização frente à vida.
Os problemas psicológicos e psiquiátricos interferem no agravamento e na dificuldade da remissão das doenças, sendo, por isso, relevante a realização do seu diagnóstico , e o início de um tratamento adequado, pela equipe multiprofissional.
É IMPORTANTE SALIENTAR QUE O PSÍQUICO REPOUSA SOBRE O ORGÂNICO,
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Spitzer, R, Janet B., Williams, D, Kroenke,K , Linzer,M, Verloin, Hahn, S,
COMPULSÃO ALIMENTAR
COMPULSÃO ALIMENTAR
ANNA CLAUDIA QUEIROZ
TRANSTORNO COMER COMPULSIVO
O transtorno de compulsão alimentar periódica (TCAP) pode ser considerado como um tipo de transtorno do comportamento alimentar situado entre a bulimia nervosa e a obesidade. A característica central do transtorno é o episódio de compulsão alimentar, mas, diferente da bulimia nervosa, o paciente não se engaja em comportamentos compensatórios para controle de peso (vômitos, abuso de laxativos, exercício excessivo) .Muito embora nem todos os pacientes que apresentam transtorno do comer compulsivo sejam obesos, grande parte deles evidenciam problemas de controle de peso corporal.
O TCAP é freqüentemente associado ao termo binge eating, para descrever os episódios bulímicos. Como este termo pode ser traduzido?A tradução literal para o português seria “farra” ou “orgia alimentar”.No entanto, podemos encontrar na literatura, os termos: “ataque de comer”, “episódios de compulsão alimentar” e “episódios bulímicos” para definir o episódio central do transtorno.É descrito, de maneira simplificada, como a ingestão de uma grande quantidade de alimentos, seguida do sentimento da perda do controle do seu comportamento.(Appolinário et al, 1995)
Os critérios de Diagnósticos para o TCAP (Apêndice B - DSM IV) é descrito com episódios recorrentes de ataques de comer. Um episódio de ataque de comer é caracterizado por: o comer num breve período de tempo (ex. num período de 2 horas) uma quantidade de comida considerada definitivamente maior do que a maioria das pessoas comeria durante um período de tempo similar e em circunstâncias similares; há uma sensação de falta de controle durante os episódios, isto é, um sentimento de que não pode parar de comer ou controlar o que ou o quanto o indivíduo está comendo; os episódios de ataque de comer estão associados à pelo menos três (3) ou mais dos seguintes itens:
- Comer mais rápido do que o usual
- Comer até se sentir inconfortavelmente “cheio”
- Comer grandes quantidades de comida, sem se sentir com fome
- Comer sozinho por se sentir constrangido com a quantidade que está comendo
- Sentir-se decepcionado, deprimido, ou sentindo-se culpado após a superingestão
O ataque de comer provoca um marcante desconforto e é necessário ocorrer os episódios de ataque de comer ocorrem em média (2) vezes por semana durante seis meses e este ataque de comer não está associado com o uso regular e inapropriado de comportamento compensatório (p. ex. do tipo purgativo, jejuns ou exercício excessivo) e não ocorre exclusivamente durante o curso de anorexia nervosa ou bulimia nervosa.
Os estudos de Spitzer, Devlin et al investigaram a prevalência e várias características clínicas dos pacientes com TCAP, comparando amostras de pacientes que procuram tratamento para emagrecer e amostras da população geral.Os estudos, tanto o primeiro quanto o segundo, indicavam que 30% dos pacientes que procuravam tratamento para perda de peso apresentavam o transtorno, enquanto que somente 2% da população geral preenchiam os critérios diagnósticos para o TCAP.A distribuição por sexos evidenciava um predomínio do sexo feminino na proporção de 3/2.(Spitzer, R.L. et al, Int. J. Eat Dis, 13, 1993)
A grande maioria dos pacientes refere um início precoce dos episódios de compulsão alimentar, geralmente na infância ou adolescência. O uso de dietas começa normalmente após o aparecimento dos ataques de comer, diferente da bulimia nervosa.O paciente com TCAP evidencia uma história de vários tratamentos anteriores para controlar o peso.Evidenciam uma maior preocupação com a forma e a imagem corporal, aproximando-os dos pacientes com bulimia nervosa.Há uma relação direta entre o grau de obesidade e o TCAP. Os ataques de comer aumentam conforme o grau de obesidade medido pelo IMC. (Appolinário, Coutinho et al, 1995).
Existe uma falsa idéia de que todos os indivíduos com transtorno do comer compulsivo apresentam sobrepeso. Os estudos com população geral evidenciaram que somente a metade deles pode ser considerada como apresentando sobrepeso (IMC 27 ou mais).De maneira geral os pacientes com TCAP, em comparação com os pacientes com obesidade hiperfágica, evidenciam maior comprometimento no trabalho e nas relações sociais e uma elevação de psicopatologia associada (depressão maior, distimia e uso de substâncias psicoativas).
SÍNDROME DO COMER NOTURNO
A síndrome do comer noturno afeta 1% a 3% da população.
Normalmente o paciente apresenta anorexia pela manhã; ainda que a pessoa se alimente no café da manhã. Os episódios de hiperfagia ocorre à noite; pelo menos 50% do consumo calórico diário ocorre após a ultima refeição do dia.
A insônia é freqüente e há pelo ao menos um despertar à noite. Se esses critérios são preenchidos por pelo ao menos 3 meses, pode-se diagnosticar SCN.
O padrão alimentar é caracterizado por: ingestão alimentar ocorre antes do paciente deitar ou nos períodos que desperta do sono; a média do despertar é de 3 a 4 vezes durante a noite, e que 52% associa consumo alimentar com o acordar; os alimentos são ingeridos de 2 formas: Um episódio alimentar, onde a compulsão ocorre antes de dormir; e as “beliscadas” que o indivíduo acorda várias vezes durante a noite e come; os alimentos escolhidos são normalmente doces, carboidratos e lipídeos. O episódio de compulsão é pobre de proteína.
O paciente com SCN tem a sensação de falta de controle com relação à comida. É a primeira “beliscada” e perde-se o controle. Após o ato de comer compulsivamente se mobiliza a culpa. O hábito de comer sozinho e escondido é freqüente.Além da anorexia pela manhã, a alimentação durante o dia é restritiva, e se associa a um estado emocional de ansiedade, irritabilidade, fraqueza, fadiga, e pioram no final do dia.Descreveu-se que 2/3 dos pacientes com SCN tem insônia e estresse emocional.A depressão e abuso de substancias são comorbidades a serem consideradas ao se estabelecer o diagnóstico de SCN.
Como diferenciar Síndrome do Comer noturno de Transtorno da compulsão alimentar periódica?
O horário específico para que ocorra o comportamento alimentar patológico. O TCAP não apresentam anorexia pela manhã, a compulsão ocorre em qualquer horário do dia.O transtorno do sono apresenta apenas na SCN.A preocupação com o peso e a forma corporal não se encontra no SCN como é manifestada no TCAP.A culpa e depressão após os episódios de compulsão estão presentes no TCAP e no SCN.
ANNA CLAUDIA QUEIROZ
TRANSTORNO COMER COMPULSIVO
O transtorno de compulsão alimentar periódica (TCAP) pode ser considerado como um tipo de transtorno do comportamento alimentar situado entre a bulimia nervosa e a obesidade. A característica central do transtorno é o episódio de compulsão alimentar, mas, diferente da bulimia nervosa, o paciente não se engaja em comportamentos compensatórios para controle de peso (vômitos, abuso de laxativos, exercício excessivo) .Muito embora nem todos os pacientes que apresentam transtorno do comer compulsivo sejam obesos, grande parte deles evidenciam problemas de controle de peso corporal.
O TCAP é freqüentemente associado ao termo binge eating, para descrever os episódios bulímicos. Como este termo pode ser traduzido?A tradução literal para o português seria “farra” ou “orgia alimentar”.No entanto, podemos encontrar na literatura, os termos: “ataque de comer”, “episódios de compulsão alimentar” e “episódios bulímicos” para definir o episódio central do transtorno.É descrito, de maneira simplificada, como a ingestão de uma grande quantidade de alimentos, seguida do sentimento da perda do controle do seu comportamento.(Appolinário et al, 1995)
Os critérios de Diagnósticos para o TCAP (Apêndice B - DSM IV) é descrito com episódios recorrentes de ataques de comer. Um episódio de ataque de comer é caracterizado por: o comer num breve período de tempo (ex. num período de 2 horas) uma quantidade de comida considerada definitivamente maior do que a maioria das pessoas comeria durante um período de tempo similar e em circunstâncias similares; há uma sensação de falta de controle durante os episódios, isto é, um sentimento de que não pode parar de comer ou controlar o que ou o quanto o indivíduo está comendo; os episódios de ataque de comer estão associados à pelo menos três (3) ou mais dos seguintes itens:
- Comer mais rápido do que o usual
- Comer até se sentir inconfortavelmente “cheio”
- Comer grandes quantidades de comida, sem se sentir com fome
- Comer sozinho por se sentir constrangido com a quantidade que está comendo
- Sentir-se decepcionado, deprimido, ou sentindo-se culpado após a superingestão
O ataque de comer provoca um marcante desconforto e é necessário ocorrer os episódios de ataque de comer ocorrem em média (2) vezes por semana durante seis meses e este ataque de comer não está associado com o uso regular e inapropriado de comportamento compensatório (p. ex. do tipo purgativo, jejuns ou exercício excessivo) e não ocorre exclusivamente durante o curso de anorexia nervosa ou bulimia nervosa.
Os estudos de Spitzer, Devlin et al investigaram a prevalência e várias características clínicas dos pacientes com TCAP, comparando amostras de pacientes que procuram tratamento para emagrecer e amostras da população geral.Os estudos, tanto o primeiro quanto o segundo, indicavam que 30% dos pacientes que procuravam tratamento para perda de peso apresentavam o transtorno, enquanto que somente 2% da população geral preenchiam os critérios diagnósticos para o TCAP.A distribuição por sexos evidenciava um predomínio do sexo feminino na proporção de 3/2.(Spitzer, R.L. et al, Int. J. Eat Dis, 13, 1993)
A grande maioria dos pacientes refere um início precoce dos episódios de compulsão alimentar, geralmente na infância ou adolescência. O uso de dietas começa normalmente após o aparecimento dos ataques de comer, diferente da bulimia nervosa.O paciente com TCAP evidencia uma história de vários tratamentos anteriores para controlar o peso.Evidenciam uma maior preocupação com a forma e a imagem corporal, aproximando-os dos pacientes com bulimia nervosa.Há uma relação direta entre o grau de obesidade e o TCAP. Os ataques de comer aumentam conforme o grau de obesidade medido pelo IMC. (Appolinário, Coutinho et al, 1995).
Existe uma falsa idéia de que todos os indivíduos com transtorno do comer compulsivo apresentam sobrepeso. Os estudos com população geral evidenciaram que somente a metade deles pode ser considerada como apresentando sobrepeso (IMC 27 ou mais).De maneira geral os pacientes com TCAP, em comparação com os pacientes com obesidade hiperfágica, evidenciam maior comprometimento no trabalho e nas relações sociais e uma elevação de psicopatologia associada (depressão maior, distimia e uso de substâncias psicoativas).
SÍNDROME DO COMER NOTURNO
A síndrome do comer noturno afeta 1% a 3% da população.
Normalmente o paciente apresenta anorexia pela manhã; ainda que a pessoa se alimente no café da manhã. Os episódios de hiperfagia ocorre à noite; pelo menos 50% do consumo calórico diário ocorre após a ultima refeição do dia.
A insônia é freqüente e há pelo ao menos um despertar à noite. Se esses critérios são preenchidos por pelo ao menos 3 meses, pode-se diagnosticar SCN.
O padrão alimentar é caracterizado por: ingestão alimentar ocorre antes do paciente deitar ou nos períodos que desperta do sono; a média do despertar é de 3 a 4 vezes durante a noite, e que 52% associa consumo alimentar com o acordar; os alimentos são ingeridos de 2 formas: Um episódio alimentar, onde a compulsão ocorre antes de dormir; e as “beliscadas” que o indivíduo acorda várias vezes durante a noite e come; os alimentos escolhidos são normalmente doces, carboidratos e lipídeos. O episódio de compulsão é pobre de proteína.
O paciente com SCN tem a sensação de falta de controle com relação à comida. É a primeira “beliscada” e perde-se o controle. Após o ato de comer compulsivamente se mobiliza a culpa. O hábito de comer sozinho e escondido é freqüente.Além da anorexia pela manhã, a alimentação durante o dia é restritiva, e se associa a um estado emocional de ansiedade, irritabilidade, fraqueza, fadiga, e pioram no final do dia.Descreveu-se que 2/3 dos pacientes com SCN tem insônia e estresse emocional.A depressão e abuso de substancias são comorbidades a serem consideradas ao se estabelecer o diagnóstico de SCN.
Como diferenciar Síndrome do Comer noturno de Transtorno da compulsão alimentar periódica?
O horário específico para que ocorra o comportamento alimentar patológico. O TCAP não apresentam anorexia pela manhã, a compulsão ocorre em qualquer horário do dia.O transtorno do sono apresenta apenas na SCN.A preocupação com o peso e a forma corporal não se encontra no SCN como é manifestada no TCAP.A culpa e depressão após os episódios de compulsão estão presentes no TCAP e no SCN.
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